Entre a denúncia e o sadismo: a estetização da violência

Publicado pela Revista Ano I: Ensaio, 13/07/2020 *Aviso de gatilho: o texto trata de violência por meio das imagens, racismo e fascismo * Do alto da sacada observei o andar das pessoas na rua. Parte delas caminhava em um ritmo acelerado, evidenciando o receio de sair de casa em meio a uma pandemia sem precedentes… Leia mais Entre a denúncia e o sadismo: a estetização da violência

“As ordens no paraíso”: o que vem depois do humano?

Quando vi a exposição “As ordens no paraíso – o animal e o humano”[1] (2020) da artista Alice Lara[2] senti um incômodo com as imagens que eram exibidas. Essas imagens me tocaram como um punctum[3] barthesiano, como um ferrão de uma abelha que lateja e não sabemos onde ele está. Não era a primeira vez… Leia mais “As ordens no paraíso”: o que vem depois do humano?

Uma crítica necessária às representações lgbtqifóbicas do Porta dos Fundos

Desde pequena minha mãe biológica me ensinou que minha liberdade não deve atentar contra a dignidade de outras pessoas. Esse ensinamento me envolveu ao receber a notícia de que os franceses estavam relembrando o massacre de Charlie Hebdo. Contextualizando, Charlie Hebdo é um jornal satírico francês, que em diversas publicações utilizava de imagens racistas, lgbtqifóbicas… Leia mais Uma crítica necessária às representações lgbtqifóbicas do Porta dos Fundos

A irracionalidade e a nova caça às bruxas

Texto publicado originalmente na Revista Cult, na data de 21/10/2019. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/irracionalidade-e-a-nova-caca-as-bruxas/   “O ano era 2016 e o heterossexualismo no Planalto Central era lei. Ônibus lotado, eram 16 horas quando os milicos resolveram abordar. Em ordem, como as fileiras dos ministérios, os candangos desceram um por um sem pressa. Com a certeza no… Leia mais A irracionalidade e a nova caça às bruxas

Natureza-morta

Publicado originalmente em Revista Desvio:
Seria aceitável se a única definição de “Natureza-morta” fosse a que utilizamos nas artes: um quadro com frutas dentro de uma bandeja, como os quadros de Paul Cézanne. Desde os antigos já sabemos o que é observar e representar a natureza. Para eles, existia uma querela entre a natureza e…

Ao vencedor as laranjas

Publicado originalmente em Revista Desvio:
Na última quarta-feira, 26, o Laranjão, monumento símbolo da cidade de Laranjal Paulista (SP) amanheceu com o dizer “Queiroz?”. Com a atuação de Fabrício Queiroz, o motorista, como “laranja” da família Bolsonaro, e a sua demora em realizar o depoimento no Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MP-RJ), só…

A liberdade é azul, o modernismo é vermelho

Publicado originalmente em Revista Desvio:
Em meados de novembro o projeto arquitetônico de Brasília foi ameaçado pela instalação de uma réplica da estátua da liberdade norte-americana de 35 metros, símbolo de uma famosa loja de departamentos, de tremenda cafonice opulenta. Afronta ao projeto arquitetônico da cidade, a estátua destoa da estética moderna de Brasília. Considerando…

A artista e a incansável busca por espaço nas artes

As mulheres vêm sendo silenciadas e ocultadas por muitos séculos. Ao se tratar das mulheres artistas percebe-se que esse movimento de esconder e oprimir é mais potente. Michelle Perrot em sua obra Minha história das mulheres, 2017, mostra como as mulheres artistas foram desde sempre escondidas e/ou silenciadas pelos homens que subjugavam suas produções. No… Leia mais A artista e a incansável busca por espaço nas artes

A luta contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento

Publicado originalmente em Revista Desvio:
A primeira exposição que marcou nossas vidas permanece sempre em eterno retorno. A minha foi em meados de 2013, com a exposição Ausências Brasil (2012), fotografias do argentino Gustavo Germano, no Museu Nacional (MuN). Essa exposição relaciona-se com o momento de tensão política em que passamos. A mostra fotográfica, que…

A artista e a incansável busca por espaço nas artes II

Publicado originalmente em Revista Desvio:
No final do texto “A artista e a incansável busca por espaço nas artes” explico, brevemente, sobre o problema da visibilidade e legitimidade das mulheres nos campos artísticos. Por mais que tenhamos um avanço considerável no número de exposições e de artistas contempladas, essas ações não parecem ser suficientes para…

A cidade através do indício: cartografias de Íris Helena

Publicado originalmente em Revista Desvio:
Íris Helena, artista visual sediada em Brasília realiza uma investigação crítica sobre a cidade, captando com seu olhar imagens urbanas que reproduz sobre distintos suportes. A artista deixa transparecer sua metodicidade ao utilizar-se da repetição na série “Paraísos Fiscais” (2016), qual utiliza tickets de compra. Nessa série a artista trabalha…

Alice Lara e a ars erótica entre o humano e o animal

No dia 07/08 ocorreu o lançamento da 3ª edição do Transborda Brasília – Prêmio de Arte Contemporânea, que possui duração de 08/08 a 07/10. A exposição de artes visuais conta com 12 artistas indicados ao prêmio, que residem, produzem ou nasceram em Brasília, cidades satélites ou entorno. Alice Lara, uma das indicadas, em seu trabalho… Leia mais Alice Lara e a ars erótica entre o humano e o animal

Quando você olha pra ela: visibilidade lésbica

Agosto é considerado o mês da visibilidade lésbica. Em Brasília, a cena cultural busca trazer eventos e iniciativas que garantam a visibilidade para essas mulheres. Deste modo, no dia 31 de julho, para abrir caminho, ocorreu no espaço SESC Estação 504 sul, o sarau foi iniciativa da Quanta! e da Padê editorial. A Quanta! é… Leia mais Quando você olha pra ela: visibilidade lésbica

A simplicidade do cotidiano em tempos hipermodernos

A série fotográfica Caseirices II, de Emília Silberstein, fotógrafa de Brasília, captam a vida costumeira cheia de simplicidade e ternura. Analisando o conjunto de fotografias da artista observa-se séries em que o ambiente doméstico é tingido de luz natural. Aqui, o lar representa a união de duas subjetividades que se fortalecem em um mesmo teto.… Leia mais A simplicidade do cotidiano em tempos hipermodernos

Para além dos gadgets: um museu dos futuros possíveis

Nos dias 4 a 8 de julho ocorreu em Brasília a Olimpíada do Conhecimento 2018, uma iniciativa da CNI – Confederação Nacional da Indústria. O espaço contou com a exposição Museu dos Futuros Possíveis organizada pelo Instituto Tomie Ohtake. Com curadoria de Paulo Miyada, a exposição reuniu obras de vários artistas, como Camila Sposati, Eduardo Kac, Gabriela… Leia mais Para além dos gadgets: um museu dos futuros possíveis

BSB plano das artes, a visibilidade de iniciativas autônomas no DF

Ao celebrar a reinauguração do Centro Cultural Renato Russo, os brasilienses puderam visualizar a promessa de um espaço democrático para as artes no Distrito Federal. Após cinco anos de espera, o evento, um ansioso vislumbre, possibilitou o protagonismo das obras de artistas visuais em suas diversidades  dispostas nas paredes. Em Brasília, os espaços vazios não… Leia mais BSB plano das artes, a visibilidade de iniciativas autônomas no DF

“Por um obscuro caminho, ele me acha”

As pinturas da artista Alice Lara emanam uma plurivocidade de sentidos. Analisando o conjunto das obras da artista, percebe-se a discussão sobre a animalidade, o bruto e lascivo, evidente em outras obras como a série “Amores perros” (2013). A obra “Por um obscuro caminho, ele me acha” (2017), mostra a precisão e consciência das pinceladas… Leia mais “Por um obscuro caminho, ele me acha”

Brasília: obra-prima da alucinação

Brasília, metrópole pensada por um demiurgo que errou a mão e trocou sementes por grãos de areia. Cidade concreto, instalações a céu aberto performam a rigidez da estrutura social do país. O céu arquitetado milimetricamente compactua com a estagnação da vida pública. Será que Lúcio Costa arquitetaria o cristalizado azul e as nuvens condensadas feito… Leia mais Brasília: obra-prima da alucinação