Brasília em atos: ato 1

Como fugir de uma prisão sem muros? O imenso céu azul com nuvens planejadas deveria trazer a sensação de liberdade.

Sufocam.

As avenidas, as ruas num3trif1cad4s sob o sol, só propagam o eco do grito de expressão. Grito que se dissipa no ar e ninguém ouve.

Rostos iguais, vidas decididas por um demiurgo que errou a mão e trocou sementes por grãos de areia.

Sem amor, viraremos um deserto.

Para aqueles que se sentem passageiros aproveitem a viagem. Saibam que aos poucos o monstro se alimentará de sua subjetividade e procriará dejetos.

Ninguém irá te reconhecer e então seremos amigos. Dois corpos insignificantes na multidão.

Sua força virá da sensibilidade, da busca por sentidos em um mar de terra. Retire o que é superficial e vá de peito aberto sentir o que ainda há de humano nesta cidade: a vida está nas bordas.

Seja cor disforme, vida inconveniente. Misture os tempos e force a mudança na terra da eternidade.

Brasília, o avião que permanece imóvel. Erva daninha de plástico, grande eidólon, me deixe partir.

 

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