Brasília em atos: ato 2

Voltei Brasília.

Para seu clima quente, sua pose retilínea.

Tento olhar para o calor absurdo e sua tarefa frustrante de aquecer corpos de brasilienses frios.

É culpa do cimento que aqui performa o concreto. Sua solidez abafa toda expressão de sentimentos profundos. E mesmo sólida Brasília flui garantindo a carapuça daqueles que temem.

O medo da espera, do compromisso e da obrigação, reflete na ambiguidade do eixão: foges para onde? Corres para quem?

Amores confusos, ramificações frágeis se entregam nas tesourinhas, sapatões solitárias, que furam o concreto das avenidas. Aqui é o lugar da perda.

Dentre os semáforos da w3, a saudade de outros lugares…

– O verdadeiro centro está aqui, pode chegar.

O grafite resistente é a marca que carregamos no peito. Frente ao calor tóxico que emana do chão ao fim da tarde, meu corpo pede socorro, pois minha alma se recusa a permanecer aqui.

Voltei Brasília… Nessa cidade não posso ficar.

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