Brasília em atos: ato 3

Em meio a harmonia meu corpo se contorce.

No cortejar do pesado rolando no chão de piche, os blocos uniformes, tão retilíneos, escondem a náusea de poucos. Me vejo ao lado, como estranha, alheia e tenho o peito nu.

Passos rápidos e gritos, o denso arranha o asfalto, rolo objetificador transforma todos em iguais e meu corpo permanece nu.

E sangra. Enquanto tantos correm, me vejo plantada, florescendo ipês amarelos e brancos.

Desprotegida no mundo me sinto.

E envergonhada por me preocupar com a nudez sob o céu azul intocável.

Os monumentos pesados continuam esmagando a rua e no meio do peito o coração mal bate.

O medo me despe.

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