Brasília em atos: ato 4

Clarice esteve aqui.

As mesmas sensações com décadas de distância.

Lugar onde nada nasce nada morre. Mas nasci em Brasília e sou ninguém.

Estou morrendo em Brasília, quem se importa?

Da abstrata acusação de Clarice só vejo o concreto no chão. Da artificialidade das árvores que antes eram mudas, ameaço dizer que continuam de plástico.

“Em Brasília não se vive, se mora” e habitar em Brasília é como beber café com mosca.

Brasília é um cu.

Das tesouras de aço que cortam os salários, neste estado totalitário, nem as tesourinhas que ligam o eixão fazem sentido.

São 6:20 e nada acontece, pois aqui nada nasce ou morre.

Em Brasília não há espaço para a subjetividade.

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