Afago

Já não me sinto só. Sempre fui ranzinza e hoje sei o porquê. A lama que encobre meus pés, o ar passa por mim, a voz interior que me lembra a cada instante a sua ternura e rigidez. Acalanto me encobre e sei que tudo ficará bem. Sonho bom foi ver seus olhos pairando em meus olhos e dizendo que eu, em toda minha pequenez era a coisa mais linda já vista. Neste momento te senti em mim e sabia que seríamos uma só.

Odi nàánàá ni ewa, lewa lewa ê
Odi nàánàá ni ewa, lewa lewa ê

Os cabelos brancos, o olhar cansado, mostram o peso da sabedoria de quem estava presente no início e que faz questão de estar no fim.
Do ar que finda a vida, me ensina que a morte também é transformação. Que o amor de orisá é esperança para continuar em qualquer luta.

Saluba minha velha, saluba.

Que meus dedos escrevam sem medo e modifiquem a realidade. Que meu ufó leve tranquilidade para os que precisam. Que sua presença seja sempre irretocável fonte de conhecimento, proteção e amor.

Odi nàánàá lesse
aie aie lesse
Odi nàánàá lesse
aie aie lesse

Mojugba minha mãe, mojugba.

Créditos da capa: mayã de nàánàá. nàány ofurufu, 2019. Acrílica sobre tela.

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